O problema de quando eu bebo

O problema de quando eu bebo é que libera todo o lado pervertido que o cotidiano esconde. A moça comedida que é tomada pelo rubor ao falar de sexo dá espaço a quase uma dançarina de boteco de porto. Capaz de satisfazer os desejos mais profundos e profanos dos mais antigos marinheiros.

Mesmo sem perder aquela latente linha entre sexo e amor, quando bebo eu faço uma trama com essas linhas. Uma rede, capaz de pegar, laçar e ferrar qualquer um que passe por minha embriagada mente.

Me faz abocanhar o cós das suas calças e abrir a braguilha com apenas um movimento da língua. Ninguém jamais pensaria isso me vendo diariamente, mas só quem viu sabe do que essa boca é capaz.

O problema de quando eu bebo é que eu perco totalmente o critério entre o que é válido e o que é adultério. Desejo-os como pedaços de carne frescos e endurecidos. Desejo chupá-los como se fossem doces. Mas quero que seja salgado como o suor, contrastando com a bala mentolada que carrego no céu da boca. E faço e refaço os movimentos como um ballet fálico em que não há nada de quebra-nozes ou lago dos cisnes.

Quero fazer valer todos os 15 centímetros de pescoço e engolir sua vitalidade pelo jeito menos ortodoxo: por seu pau, flamejante e pulsante que o céu da boca agora acalenta. Quando eu bebo eu quero mais é que meu corpo se dilate para que o seu se deleite e formem um só: se mordendo, se chupando, se apertando, roçando como se aquela fusão epilética fosse levar a algum lugar ou pudesse causar mais que um orgasmo e uma sucessão de arritmias sucedidas da dificuldade de respirar.

O problema quando eu bebo é que eu só quero um bom lugar para me deitar – ou me deitarem – e deixar que os poros dilatados pelo álcool comandem o sistema nervoso ao meu bel prazer.

Mas o maior problema de beber é que eu quero dormir com a maioria dos que me aparecem a frente. E o problema de dormir com a maioria é que me dá uma vontade danada de beber. É um ciclo vicioso. E viciante.

TEM GENTE QUE SIMPLESMENTE É DIFERENTE DA GRANDE MAIORIA

Tenho uma amiga italiana que consegue encostar a língua na ponta do nariz sem qualquer esforço. Um amigo de adolescência conseguia passar por cima da gente, andando na parede. Quem não se lembra do homem-avestruz, atração especial do Show de Calouros, do Sílvio Santos, que engolia e regurgitava os objetos mais improváveis? Eu consigo dobrar a primeira falange de alguns dos meus dedos, mantendo as outras falanges retas.

Tem gente que simplesmente é diferente da grande maioria.

Tenho uma amiga que faz malabares enquanto dobra o corpo para trás, joelhos no chão, até encostar a nuca no calcanhar. Algumas pessoas conseguem memorizar mais de 60 mil dígitos de π.

Conheço uma garota que fez uma cirurgia no estômago, e que hoje tem uma cicatriz indo dos seios ao púbis, outra cortando de quadril a quadril, e mais uma sob cada seio, por onde foi implantado silicone. Ela tem um pouco de vergonha, mas eu acho sexy, de certa forma.

Tem gente que simplesmente é diferente da grande maioria.

Um dia, estávamos na cama, brincando. Ela me pediu para deitar de costas, o que atendi prontamente. Ela se levantou e posicionou os joelhos em volta de minha cabeça, descendo o corpo dela sobre o meu e abocanhando meu pau, com a fome de um somali. Agarrei a bunda dela imediatamente e trouxe a boceta direto para minha boca. Estávamos morrendo de tesão, e apertamos, mordemos, puxamos, chupamos e lambemos com muito vigor. Ela é uma dessas garotas desencanadas, sem neuras, gostosa pra se ter na cama, divertida. Chupa como poucas, e estava me deixando maluco. Eu queria explodir na boca dela, mas me esforçava para gozarmos juntos. Com o tempo, vieram as contrações e os gemidos. Ela já não conseguia se concentrar nas chupadas, dava umas abocanhadas de vez em quando e gemia nos intervalos, cada vez mais alto, rebolando na minha cara e de vez em quando abocanhando meu pau até o talo, levando a cabeça dele até a garganta e me enlouquecendo. Nem todas as garotas têm a habilidade necessária para fazer um meia-nove decente. Algumas têm nojo. Outras, vergonha. Outras, uma forma estranha de orgulho. E outras simplesmente não têm experiência. Mas quando você dá a sorte de ganhar uma chupada de uma garota que sabe o que está fazendo, dando e recebendo prazer e enlouquecendo-se como você, a coisa muda de cenário. Nossa, como eu curto um meia-nove bem feito.

Tem gente que simplesmente é diferente da grande maioria.

Fico me imaginando em um meia-nove com a Linda Lovelace. Ela era uma mestra. Engolia caralhos enormes, que se afundavam em sua garganta, impedindo sua respiração, sem engasgar. Ter fôlego é um talento. Algumas pessoas conseguem passar mais de 10 minutos imersas na água, sem respirar. Os nadadores profissionais conseguem mergulhar, com o nariz para cima, sem se incomodar. Eu me lembro que quando praticava natação eu sofria com isso. A água entrava no meu nariz e eu sempre achava que iria me afogar. Deve ser algum talento mesmo, porque as meninas do nado sincronizado têm que usar aqueles pregadores no nariz. Eu também precisaria. Mas eu consigo dobrar minha primeira falange, mantendo o dedo reto.

Tem gente que simplesmente é diferente da grande maioria.

Continuamos nossa brincadeira, eu agarrando o quadril dela e puxando pra perto, acariciando seus seios, segurando sua nuca, e ela agarrando minhas bolas e enterrando meu pau na boca. Ela começou a afundar a boceta no meu rosto, minha boca envolvendo a vulva e meu nariz enfiado entre os grandes lábios. Estava realmente difícil respirar, mas eu não podia parar naquele momento. Abria o lado da boca, como bom nadador, para conseguir puxar um pouco de ar enquanto mantinha o ritmo das lambidas e enterrava ainda mais meu nariz na boceta dela.

Ela continuava rebolando no meu rosto, grunhindo e gemendo com uma respiração ofegante. Eu agarrava as coxas dela e a trazia para mais perto, meu nariz enterrado na boceta dela, minha boca envolvendo toda a vulva.

De repente, ela deu um grito, e endireitou o corpo, sentando no meu rosto. Eu senti um jato entrando violentamente no meu nariz. Por um milésimo de segundo, pensei que estava numa piscina, nadando de costas. Eu estava me afogando! Abri a boca e tossi violentamente, com o líquido passando pela minha garganta e saindo pela boca. Empurrei as coxas dela, e ela, num susto, se levantou. O jato continuava. Era muita água! Encharcou meu rosto, ardendo meus olhos e entrando em minha boca. Meu lençol estava encharcado. Olhei para ela com olhos arregalados. Ela soltou um sorriso tímido, como se estivesse com vergonha. E eu dei uma gargalhada.

Tem gente que simplesmente é diferente da grande maioria.